2- Primeiro Amor

O
primeiro amor de Jéssica foi Gabriel, estudavam na mesma turma de 9º ano do Ensino Fundamental, porém eles já se conheciam desde o 6º ano escolar. Jéssica se perguntava: Qual a origem desse sentimento? Relutava em senti-lo e jamais o deixava transparecer, tinha suas razões, Gabriel era relapso, pouco se preocupava com suas notas escolares, se envolvia corriqueiramente em confusões. Quase todas as atitudes dele eram reprovadas por ela, mas ainda assim o olhava diferente.
Jéssica e Gabriel eram opostos, ela dedicada a seus estudos e considerada a melhor aluna da turma, estava sempre acima de qualquer suspeita, quando indagada por seus professores a respeito de algo suas palavras traduziam a verdade do acontecido. Ele fazia o mínimo necessário, as vezes nem isso. Era admirado por boa parte dos garotos, e desejado por muitas meninas da escola. Para os meninos era um líder, por vezes negativo, mas ainda assim, um líder! Para as meninas ele era irreverente e charmoso, isso as atraíam. Algumas vezes Gabriel desejava se aproximar de Jéssica, mas sua reputação precisava ser mantida! Viviam em mundos diferentes, estavam tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes.
Naquela turma de 9º ano também estudava Bruno, um aluno mediano, tinha um jeito estranho e ficava a maior parte do tempo sozinho, frequentemente se distraía e fazia movimentos repetitivos com a cabeça como que tentando entender algo que não se relacionava ao assunto da aula, voltava a realidade sob os olhares curiosos de seus colegas de sala, envergonhado se retraía, na maioria das vezes ao som de muitos risos. A turma fazia muitas piadas a seu respeito, Bruno não as respondia. Era introspectivo e incapaz de se defender em público. Todavia, seus professores percebiam que possuía um grande potencial, diziam entre eles que os problemas daquele garoto moravam fora da escola, mas o atingia dentro dela.
Estranhamente, dentre todos os alunos da sala Bruno conversava, ainda que brevemente, apenas com Gabriel. Embora mantivessem distância um do outro na maior parte do tempo, Gabriel era o único dos garotos que não o zombava. Em alguns momentos até refreava os colegas. Essas atitudes despertavam a admiração de Jéssica, seria ele um bom rapaz? Se perguntava.
A relação aparentemente amistosa entre aqueles dois deixava Jéssica intrigada, porque Gabriel não agia como os demais e as vezes até protegia Bruno? Sentia existir algo a mais nessa história. Também ponderava a existência de um coração altruísta naquele enigmático e cativante rapaz. Tentou entende-lo melhor, se aproximou de Gabriel e perguntou:
― Me diz uma coisa Gabriel, por que não age como os outros em relação a Bruno, e as vezes até o protege?
Aquela indagação surpreendeu Gabriel, sua expressão hesitante notoriamente sugeriu um impedimento em suas palavras, fez silêncio por algum momento. A ausência de uma resposta imediata levou Jéssica a mais uma reflexão: “Seria em razão de algum tipo de dívida ou fruto de um coração compassivo? Por que Gabriel agia com benevolência em relação a Bruno?”
Por fim, Gabriel tentou mudar o rumo da conversa. Mas Jéssica fitando-lhe os olhos o fez gaguejar antes de responder qualquer outra coisa, suas expressões denunciavam a ansiedade provocada por aquele repentino questionamento e o desequilíbrio emocional provocado por aquele forte olhar, envolvente e encantador era evidente. Mas como quase sempre acontece em situações como essa, Jéssica quase percebia! Aproveitou o momento e o pressionou:
― Vamos Gabriel, sem rodeios, vai me contar ou não? Perguntou com sua doce voz enquanto levava as mechas de seus cabelos negros e lisos para trás da orelha.
Gabriel observava o movimento de seus lábios e se perdia distraindo-se do foco da conversa.
― Gabriel! Gabriel! Planeta Terra chamando! Onde você foi hein!?
― Ahhh... Olha, esqueça esse assunto, faltam apenas duas semanas para as nossas merecidas férias, pelo menos para nós que não estamos de exames finais! Disse com orgulho, principalmente as últimas palavras. Afinal, não estar em exames finais era algo nada comum na vida escolar de Gabriel.
Percebendo que aquela conversa não chegaria a lugar algum decidiu aliviar, pelo menos naquele momento.
― Tudo bem! Por hora vou fingir que não percebi nada, mas sei que tem algo a mais nessa história! Olha, eu vou descobrir, tá!
― Hum... que é isso? Um sexto sentido feminino? Ou coisa do tipo?
― Chame do que quiser...
― Vou dizer o que eu acho! Acho que foi apenas um pretexto para vir falar comigo, não foi? Sorriu malandramente e piscou o olho para ela.
Jéssica viu-se desconsertada, não hesitou e disparou contra Gabriel:
― Tá se achando hein!? Deixa eu te falar. Olha! Você não tá com essa bola toda não, viu! Só porque não ficou de exames finais tá pensando que vou te dar moral? Aliás, não é você o senhor dos exames finais, todo ano!? O que aconteceu desta vez?  Achou uma lâmpada mágica? Esfregou e saiu um gênio? Oh poderoso gênio da lâmpada, dê-me o poder de não ficar de recuperação final esse ano! ― Disse a última frase alterando a entonação da voz e fazendo encenação com os braços levemente erguidos e olhando para cima ― Me poupe Garoto!
Mas Gabriel não deixou barato.
― Engraçadinha! Todo esse teatro só quer dizer uma coisa, você gosta de mim! E tem mais! Sobre a lâmpada mágica, são três desejos, certo? Isso quer dizer que eu ainda teria outros dois pedidos: você se apaixonaria por mim e depois me pediria em casamento! O que acha hein!? A Provocou.
― Vai sonhando! Respondeu Jéssica enquanto saia andando.


Nos minutos finais da terceira aula, aula de geografia, o professor Marco Aurélio quase concluía suas explicações quando Bruno levantou a mão. Marco Aurélio estranhou muito, Bruno não fazia perguntas, resolveu dar voz ao garoto. Antes que Bruno inferisse sua pergunta um outro garoto da turma zombou dele dizendo:
― Olha só, o Bruno vai falar! Que asneiras vão sair hein!?
Muitos riram daquela interferência pejorativa. Bruno desestruturou-se, não queria mais perguntar. O professor chamou a atenção daquele aluno que havia zombado do colega, em seguida insistiu que fizesse a pergunta.
― Nada não professor, já entendi! Respondeu visivelmente abatido.
Marco Aurélio insistiu:
― Bruno, pode perguntar, ficarei feliz em responder a sua dúvida. Disse com olhar terno.
Bruno hesitou. Por fim, na tentativa de sair de cena, disse:
― Posso ir ao banheiro?
A turma começou a rir novamente! Com a intenção de evitar constrangimento maior Marco Aurélio permitiu que ele saísse. Bruno levantou-se deu três passos em direção à porta, mas tropeçou em uma cadeira e caiu, novamente muitos risos! Levantou levemente o rosto para ver em quem havia tropeçado e fitou os olhos de Jéssica por uma fração de segundos. Tempo suficiente para ela perceber suas lágrimas, elas diziam socorra-me! Saiu rápido da sala de aula. Estava claro para Jéssica que Bruno clamava por ajuda. Não se conteve, não poderia permanecer alheia.
― Professor! Professor! Preciso sair da sala agora! Disse Jéssica com expressão de ansiedade.
― Mas Jéssica, faltam apenas cinco minutos para o intervalo. Não dá para esperar?
― Não, não dá! Preciso sair agora! Posso??
Se fosse outro aluno certamente Marco Aurélio não concordaria, mas como era Jéssica quem pedia, deu permissão. Jéssica saiu rápido, andava pelo imenso corredor procurando por Bruno, sabia que havia algo de errado. Chegou ao final do corredor e desceu as escadas em forma de caracol que dava acesso ao pátio, viu Bruno caminhando desnorteado, atravessou o pátio e sentou em um banco de cimento debaixo de uma árvore. Jéssica se aproximou devagar, Bruno estava com as duas mãos cobrindo o rosto e com os cotovelos apoiados em seus joelhos. O que fazia aquele garoto tão triste? Se perguntava em pensamento.
Aproximou-se e em tom suave perguntou:
― Ei, Bruno! Calma, não se assuste, sou eu... Jéssica. Posso me sentar perto de você?
Não, vá embora! Não preciso que ninguém tenha pena de mim! Me deixe!
Jéssica insistiu:
― Não é isso Bruno, só quero te fazer companhia e se quiser conversar, a gente conversa. Posso?
Não! Me deixe em paz!
Bruno levantou subitamente e saiu correndo, Jéssica não entendeu nada do que estava acontecendo, mas correu atrás dele, afinal ela estava ali e como queria ajudá-lo precisava entender o que estava se passando. Bruno fazia o caminho inverso que fizera antes, atravessou novamente o pátio, não olhava direito para onde estava indo. O sinal para o intervalo já havia tocado, o movimento de alunos naquele instante era grande. Bruno se aproximava novamente da escada de acesso às salas de aula quando trombou fortemente em um garoto apelidado de Morcegão. Morcegão era repetente, grande, forte e temido. Naquele instante o movimento dos alunos parou. Os alunos sabiam que coisa boa não aconteceria! Jéssica suspirou! Morcegão com a mão esquerda segurou Bruno pelo pescoço e quase o levantou do chão. Em seguida, levantou o braço direito com o punho fechado sinalizando que iria socá-lo. Bruno espremeu os olhos totalmente indefeso aguardando o golpe. Jéssica gritou:
Paraaa! Ele não fez nada!
De nada adiantou, Morcegão socou-lhe o rosto e o viu cair no chão. Na sequência se aproximou novamente de Bruno e preparou-se para chutá-lo. Jéssica gritou novamente:
Paraaa! Pelo amor de Deus, alguém faça alguma coisa!!
Ninguém tinha coragem de enfrentar Morcegão, mas antes que terminasse o movimento do chute Morcegão sentiu um forte golpe no peito. Era Gabriel, ele estava muito longe quando ouviu Jéssica gritar pela primeira vez, saiu correndo de onde estava e em direção a confusão, não teve tempo de impedir que Bruno fosse golpeado pela primeira vez, enquanto corria assistiu à queda de seu amigo, impulsionado e com muita velocidade Gabriel pulou, passou sobre Bruno que ainda estava caído e golpeou Morcegão com os dois pés no peito! Ninguém acreditava no que via, estavam pasmos! Alguém no meio da plateia gritou:
O Morcegão caiu!!
Nesse instante os alunos em estado de êxtase levantaram os braços e gritaram juntos: Uhuuuul”!
Morcegão levantou-se e irado olhou para Gabriel. Viu um rapaz de porte físico inferior ao seu, mas com os braços erguidos, olhar firme e posicionado entre Bruno e ele. Gabriel mostrava-se destemido e obstinando em defender o seu amigo. Os que assistiam estavam atônitos e jubilantes.
― Vou te quebrar em pedacinhos Gabriel! Disse Morcegão se projetando com toda sua ira para cima dele.
Gabriel não se movimentou até que Morcegão se aproximou o suficiente, girou o corpo com rapidez esquivando-se do golpe de seu oponente, aproveitou a guarda aberta e socou o rosto de Morcegão com força, mas ele continuou de pé. Morcegão virou-se novamente e tentou passar-lhe uma rasteira, sem sucesso. Gabriel era muito ágil, pulou para o lado e disparou uma sequência rápida e bem aplicada de três chutes. O primeiro atingiu o abdômen, Morcegão curvou-se, o segundo foi na cabeça e o terceiro nas pernas, Morcegão caiu pela segunda vez. Os gritos da torcida por Gabriel eram inevitáveis e ensurdecedores, isso irritava ainda mais Morcegão!
Morcegão caiu novamente! Outro aluno bradou despertando a torcida que emendou gritos em coral:
Gabriel! Gabriel! Gabriel!
Os que assistiam quase não podiam acreditar no que seus olhos viam, era como se Gabriel os vingasse por cada momento desagradável que passaram nas mãos de Morcegão, gritavam entusiasmados e com voz forte:
Gabriel! Gabriel! Gabriel!
Morcegão levantou-se novamente e partiu para cima de seu opositor. Gabriel, contudo, tinha uma única preocupação, impedir que seu protegido se machucasse mais. Morcegão aplicou-lhe outro soco, um cruzado mirando-lhe o queixo, mas Gabriel levantando o braço esquerdo em movimento de defesa impediu que Morcegão o acertasse, todavia, não foi rápido o suficiente para impedir que um segundo golpe, com o braço esquerdo o acertasse, desta vez Morcegão o atingiu com força na altura do tórax. A torcida calou-se repentinamente! Gabriel deu dois passos desequilibrados para trás e quase caiu, ficou muito próximo de Bruno que ainda permanecia no chão. Morcegão virou-se para o público e se exibia fazendo gestos amedrontadores, intimidando a torcida para que continuassem calados e ao mesmo tempo tentando mostrar que ainda era dono da situação. Gabriel aproveitou o momento de distração e se aproximou rápido, quando Morcegão se virou novamente, imaginando que o golpe que dera havia derrubado Gabriel, Pow! Sofreu outro soco no rosto, desta vez Gabriel não deu mais chances a Morcegão, aplicou-lhe outros três socos alternados no rosto! Pow!  Pow! Pow! Direita, esquerda e mais um forte golpe de direita! Morcegão caiu de joelhos!
Os alunos olharam uns para os outros e explodiram eufóricos novamente, desta vez com gritos ainda mais fortes! Era algo inacreditável, nunca mais esqueceriam o dia que Gabriel pôs Morcegão de joelhos! Voltaram a cantar o nome de seu herói!
Gabriel! Gabriel! Gabriel!
Ainda de Joelhos e desvanecido Morcegão levantou a cabeça e olhou para Gabriel que se preparava para dar um golpe final. Seus olhos pareciam estar em chamas, sua musculatura estava ressaltada, puxava o ar para dentro do peito em grande quantidade e soltava pelas narinas produzindo um som que causava medo em Morcegão. Nesse instante e por uma fração de segundos, Gabriel fitou os olhos de Jéssica, o fogo cessou, sua respiração tornou-se lenta. Baixou lentamente o braço que estava levantado e com punho fechado para o golpe, abriu a mão e empurrou o rosto de Morcegão fazendo cair no chão pela terceira vez.
Gabriel o misericordioso!!  Gritou Nícolas, um amigo de Gabriel, no meio do público.
Nesse momento chegaram dois inspetores de alunos para conter a confusão. Gabriel virou-se e pegou Bruno em seus braços, estava desacordado.
Bruno meu amigo! Acorde! Vai ficar tudo bem!
O socorro chegou rápido, Bruno foi levado ao hospital. Morcegão levantou-se com muita dificuldade, fitou Gabriel, seu orgulho estava ferido, irado disse:
― Da próxima vez que eu o encontrar, eu lhe mato!
Tendo dito isso saiu andando, os alunos abriram caminho para ele ao som de muitas vaias. Gabriel saiu de cena de modo discreto e tentando assimilar todo o ocorrido.


Uma semana depois e ainda nada do Bruno voltar a escola. Sobre Morcegão ninguém mais ouviu falar, haviam rumores de que ele se transferira para outra escola o que veio a se comprovar algum tempo depois. Durante muitos dias o assunto era o mesmo: a briga de Gabriel contra Morcegão, mas o que realmente os intrigava era o porquê de Gabriel ter protegido Bruno daquela maneira. Eram amigos? Que laços os unia? Bruno não era popular, ao contrário, era chacoteado por toda escola. O que Gabriel ganharia se arriscando daquela maneira? Até aquele dia ninguém jamais ousou, se quer, ainda que de longe, proferir qualquer palavra que pudesse causar descontentamento ao valentão da escola, quanto mais enfrentá-lo em uma luta pública. As dúvidas pairavam no ar, Gabriel, no entanto, se desviava do assunto esperando a poeira baixar.
Jéssica compartilhava do mesmo pensamento da turma. “Por que Gabriel o defenderia daquela maneira?” Ela agora tinha certeza que existia algo a mais nessa história e Gabriel se tornava uma grande incógnita, tal como numa equação matemática, todavia, cujo valor denunciaria seus verdadeiros sentimentos. Decifrá-lo se tornava algo que ia além de suas próprias vontades. Estava atraída, absolutamente envolvida por tal abnegado rapaz.


Alguns dias depois. Estavam em aula quando Bruno apareceu, a sala fez silêncio, a professora Vera fez questão de parar sua aula de literatura. Pediu que Bruno entrasse, Bruno sinalizou que queria falar com a turma. Vera consentiu. Todos aguardavam ansiosos o que ele tinha a dizer, talvez ali a dúvida que pairava fosse esclarecida, qual a ligação entre ele e Gabriel? Era o que todos desejavam saber, mas Bruno os fizeram saber de algo um tanto quanto mais profundo e esclarecedor, os fizeram entendê-lo. Falou de sua recente história, das marcas emocionais que o tatuavam e do valor imensurável da misericórdia.
― Olá pessoal! Nunca fui de falar em público, isso é muito difícil para mim. Estar aqui é uma luta pessoal, e se o faço, é porque agora entendo que não há como vencer nossos medos sem enfrentá-los. Durante esse ano fui zombado, chacoteado. Fui duplamente punido, sofri com meus traumas interiores, eles me impediram de ser alguém “normal” e por não ser considerado normal, fui punido por vocês. Mas não os culpo, nem guardo rancor. Na verdade, estou aqui para abrir meu coração, para que vocês saibam algo mais sobre mim, e talvez isso os permita entender o motivo de meus estranhos comportamentos.
Bruno fez uma pausa, precisava respirar, estruturar seus pensamentos e falar com o mínimo de ansiedade possível. A turma o respeitou. Se recompôs e voltou a falar:
― Estou mudando de escola mais uma vez! Ainda bem que esse ano está praticamente terminado, ano que vem buscarei me adaptar em outro lugar. Vim para cá no começo desse ano quando meus pais se divorciaram, acho que foi melhor assim, a muito tempo não sabia o que é ter paz e uma noite de sono tranquila, eram apenas brigas e desafetos todos os dias, virei moeda de troca nas mãos deles, eu era obrigado a ouvir suas razões, de um lado e de outro, ambos queriam que eu tomasse partido e fizesse escolha a seu favor, mas assim teria que negar a um deles! Não suportei! Surtei no dia da audiência e disse para o juiz que nem meu pai, nem minha mãe me amavam, fui morar temporariamente com meus avós por parte de minha mãe.
Bruno fez outra breve pausa e continuou:
― Novamente, um juiz vai decidir meu destino, será na semana que vem, espero que seja a última das audiências e que meus pais, enfim, decidam tomar seus próprios rumos e que sejam felizes, não que eu esteja contente com a separação deles, na verdade isso acaba comigo, mas ao que parece é dos males o menor. Não faz muito tempo, eu tentei escapar de mim mesmo e não sabia o que estava fazendo. Fugi da sala de aula, desesperado, parecia que ia explodir, eu não cabia em lugar nenhum, nem dentro de mim mesmo e precisava de ajuda. Foi quando a Jéssica se aproximou de mim. Me desculpe Jéssica por sair correndo quando tentou falar comigo, eu realmente precisava falar com alguém, mas não sabia como.
Com os olhos úmidos Jéssica respondeu:
― Não tem do que se desculpar Bruno! Essa turma é quem te deve desculpas!
A turma se comoveu, e, muitos dos presentes foram se desculpando pelas gozações e brincadeiras inapropriadas. Bruno os ouviu e, em seguida, voltou a falar:
― Quando aquele grandão me segurou e me golpeou eu senti a vida me golpeando, me tirando a pouca esperança que ainda restava.
Bruno chorou contidamente nesse momento, se restabeleceu e continuou:
― Eu estava quase apagando, acreditem, já estava desejando o fim. Mas foi nesse momento que vi um anjo, ele passou sobre mim voando e golpeou aquele que me derrubava. Meus olhos estavam quase fechados, mas me esforcei para conseguir vê-lo, quase não acreditei, era Gabriel, ele estava lá, de pé me protegendo. Agora sei que posso enfrentar meus problemas como ele, de pé! Se ele lutou contra aquele cara grandão eu posso enfrentar o que estou passando. Obrigado Gabriel!
Gabriel se levantou, sentava na penúltima carteira da segunda fileira próximo às janelas da sala, caminhou até a frente e o abraçou. Todos ficaram comovidos, sobretudo Jéssica. Aquela cena desvendou parte de seu coração, se ela tinha alguma dúvida agora estava descortinada, Gabriel era sem sombra de dúvidas o seu primeiro amor, todavia admitir tal sentimento se tornaria uma longa jornada.

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